quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Memórias do Bairro da Munhuana





Após visionar as imagens captadas pelo meu irmão Aurélio na sua recente viagem a Maputo, chamou-me especial atenção a degradação e o desleixo visível da parte imobiliária e das suas belas e invejáveis artérias. O r/c do pequeno prédio (com grades) e a rua onde moramos durante quinze anos (Luciano Cordeiro/Alberto Luthuli ), contíguo ao Bairro da Munhuana, são a prova do que acabo de citar. Por momentos, fixando aquelas imagens e porque o passado mexe com as nossas emoções, pareço recordar aquelas partidas de futebol inventado, com uma pequena bola plástica que consistia em movimentos de três contra três e introduzir o esférico nos módulos em circulo que envolviam o tronco das frondosas acácias, que serviam concretamente para a rega muitas vezes levada a efeito pelos moradores. Os mesmos troncos eram o alvo predileto para a colocação de tabelas de basquetebol, que proporcionaram partidas renhidas e participadas e que só terminavam com o pôr-do-sol. Lembro-me que num canteiro, junto ao portão onde as flores foram esquecidas, aquela pequena área de terra batida, valia pelos os inesquecíveis jogos de berlindes. Pareço ainda recordar o bulício dos carros de rolamentos que deslizavam freneticamente sobre o largo passeio, transformado em circuito de corridas, para desespero e irritabilidade dos moradores. Vejo ainda o velho muro do quintal, agora a ruir onde nos sentávamos, confidente da nossa irreverência e espírito de aventura. Meu Deus como o tempo passa. Agora só as velhas acácias que ainda hoje perduram e que nos aliviaram daquelas tardes cálidas se prontificam testemunhar toda a nossa felicidade. A realidade de Maputo jamais conseguirá apagar as recordações do nosso encantamento, de quem viveu na pérola do Indico. Apesar de tudo ó cidade envelhecida e também a rejuvenescer, confesso que continuarei a amar-te, sentindo em mim o perfume eterno emanado da tua beleza e cor, dos teus mistérios e feitiços, que ninguém consegue explicar.
 
Manuel Terra


4 comentários:

  1. Olá Manuel!
    Já lá vão 36 anos... a tua excelente e poética descrição devolveu-me imagens nitídas da vida de então no nosso prédio e na nossa rua. Ainda bem que as acácias resistem quando tudo o resto se gasta. Como estão os teus irmãos Aurélio e Carlos?
    recebe um grande abraço
    António Saraiva
    (Toni, nesses tempos :)

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    1. Pelo menos as arvores resistem á senha humana (por aqui no Brasil muita gente as arranca e depois se queixa do calor excessivo). Por último estava morando na Av. Anchieta (não sei o atual nome), um oasis repleta de jacarandás dos 2 lados e que formavam um túnel fantástico. Pelo que me lembro LM era uma cidade bem arborizada, muito linda

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  2. Olá Toni
    Escreve-te o Aurélio. Eu e os manos estamos bem.
    Bela surpresa este teu contacto.
    Convosco está tudo bem ?
    Vou deixar o meu mail e o do meu irmão Manuel, para podermos contactar-nos fácilmente, pois certamente teremos muito que contar.
    Aurélio
    katembe@gmail.com
    Manuel
    manuelmartinsterra@hotmail.com

    Um grande abraço

    Aurélio

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    1. Amigo
      Morei aqui ao pe da Igreja da Muhnuana
      Obridago

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